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GOLIAS

  • 17 de jun. de 2017
  • 3 min de leitura

Qual o maior problema que já enfrentei no ministério?

Qual, dentre todos, seria comparável ao Golias (grande, atrevido, amedrontador, insistente)?

Nesses anos de intensa atividade pastoral, tenho uma lista considerável, mas, com certeza, ainda incompleta para apresentar.

Vamos arriscar uma:

De várias formas, tive que lidar com pessoas que tentavam me fazer trabalhar em sua linha... Alguns queriam torcer minha base doutrinária... Um, em especial, lutava para me fazer abandonar o uso das Escrituras no culto... Outros, queriam que eu adotasse o sistema de suas antigas igrejas... Outros insistiam para que eu aderisse ao sistema de campanhas (tão atraente para o povo brasileiro)... Outros sempre tentaram me pressionar na direção de algum sistema inovador de igreja que apresentasse maiores resultados... Outros usavam um discurso de lealdade (estou com você), mas mostravam sua deslealdade velada omitindo-se de colaborar, quando minha decisão não correspondia a suas expectativas.

Outro desafio, foi o da escassez de dinheiro. Trabalho predominantemente com gente bem simples. Apesar de constatar que em nosso meio a maioria estar empregada, não são um povo opulento... muitos ainda estão começando a vida. Mas, muitos de nossos projetos sempre tropeçaram na pergunta "quanto vai custar"... Os problemas desta ordem também foram variados. Já desisti de fazer muitas reuniões de liderança, visto que não passávamos de um certo ponto em nossas ideias sobre o que fazer para melhorar... Já caí no engodo de achar que precisava de apoio de alguma igreja maior, ou de uma organização denominacional... Já sofremos um pouco com a ideia de vender coisas na rua ou insistir para que os irmãos repensassem o modo como colaboravam com o ministério... houve até mesmo quem dissesse que poderia contribuir mais se lhe déssemos satisfações sobre nossos planos. Embora não tenhamos nada a esconder, uma proposta assim não correspondia à dignidade de nosso ministério. Então recusamos a ajuda.

Um desafio sutil foi aquele relacionado à imagem que fazem de nós como família de pastores. A idolatria pela imagem do pastor não é, nem de longe, incentivada em nosso meio. Somos muito comuns, muito próximos, completamente nivelados aos demais. Há ocasiões em que evitamos a todo custo subir num palanque para falar. Passo a vez sempre que posso. Mas, talvez por isso mesmo, muitas vezes cheguei a ver pessoas passando do limite na familiaridade com que resolviam repreender a Kátia, ou me "aconselhar".

Qual será o meu querido Golias?

Creio que descobri.

Durante todo esse tempo, não percebi que havia um homem por trás de tudo. Um homem que queria falar em defesa própria... que não queria levar o desaforo para casa, que queria fazer calar a voz daqueles que se atreviam a "aconselhá-lo", que muitas vezes me ameaçava dizendo que chegara a hora de jogar a toalha. Este homem às vezes pensava se não estavam todos certos, e às vezes desejava mandar que todos se calassem. Esse homem quis seguir seu próprio caminho e muitas vezes quis aparecer no púlpito, dando suas opiniões e torcendo o texto em seu favor... Este homem é o meu maior desafio. Tenho que lutar diariamente para que ele se mantenha submisso ao Senhor Jesus Cristo. Esse homem é o meu Golias. Quando acordo ele está gritando e me desafiando para enfrentá-lo. às vezes esconde-se, às vezes propõe uma aliança de paz comigo... mas sempre tenta me enganar.

Tenho que perdoá-lo sempre. Tenho que lutar por sua transformação. Tenho que contê-lo para que não passe dos limites.

Vou dizer aqui o nome dele. Mas, por favor, não me tome por fofoqueiro. Não quero maldizê-lo. Apenas peço que orem por este irmão.

Sem querer falar mal dele, peço que orem por ele...

É o irmão... Elias. Sim, o pastor.


 
 
 

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