IGREJA SEM CABRESTO
- 3 de dez. de 2019
- 2 min de leitura
Pastor, por que você não dá uma chamada em fulano? Por que você não desce o cajado em todo mundo?
Acreditem, mas, esse é o tipo de pergunta que me fazem, e não sem razão. Porém, o que quero dizer aqui é que a paciência que procuro demonstrar em meus relacionamentos, a não intrusão na vida de meus liderados, não é considerada por mim uma fraqueza.
Não me considero um líder frouxo. Tenho alguns princípios que me desviam naturalmente de comportamentos autoritários, intimidadores, altivos.
Sou um homem de Deus. Assim me vejo. Mas, não me considero um homem superior aos demais. Tenho mais tempo de fé, bastante conhecimento bíblico, amo leituras psicológicas e filosóficas, mas, jamais tratei qualquer membro de minha querida igreja como se fosse um qualquer.
Exerço a liderança procurando manter-me fiel a esse conjunto de valores. Some-se a isso falhas e preferências pessoais e terá um quadro aproximado de como me comporto em meio ao povo do qual sou o pastor.
Talvez cometa um erro nesse processo: o de supôr (em vão) que as pessoas agirão com bom senso, que saberão reconhecer o valor da liberdade que têm de trabalhar nos ministérios da igreja sem estar sob um cabresto opressivo. Talvez devesse romper com a ideia de que as pessoas que recebem autonomia entendem que estão sendo valorizadas e recebendo confiança de seus líderes.
Mas, honestamente, não quero me tornar um pastor amargurado. Não quero que aconteça de um dia minha filha detestar Deus ou a igreja por me ver chateado. Não quero desistir das pessoas, nem quero me desviar de meus valores. Recuso-me a ser o tipo de líder que põe um cabresto nas pessoas para as quais prego a liberdade em Cristo.
Mas, admito que pessoas precisam aprender a agir com bom senso e gratidão no ministério. Afinal, nenhum de nós merecia, e a todos nós foi concedida a mesma graça por meio de Cristo.





Comentários