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ASSUMINDO NOSSA FILIAÇÃO ESPIRITUAL

  • 25 de jan. de 2021
  • 5 min de leitura

Deus nos considera seus filhos. A Bíblia nos oferece essa verdade em alto volume ao dizer que "aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus". Agora pare e pense: Poder considerar-se um filho de Deus, sem com isso estar sendo presunçoso, ou iludindo-se com uma pretensa divindade, é algo que só pode ser conseguido mediante o caminho da Verdade que está em Cristo Jesus. Somente o Evangelho o faz sem deixar nada do lado de fora, sem quebrar o humano, sem exalta-lo nem rebaixa-lo indevidamente.

Por meio dele entendemos que o direito de nos considerarmos filhos envolve o propósito eterno de Deus em Sua Criação, bem como a Redenção por meio da obra do Logos encarnado (que viveu uma vida humana, morreu, ressuscitou e ascendeu para o lugar ou posição de onde veio. Por meio de sua obra nossos pecados são cancelados, apagados; somos justificados, regenerados e adotados como filhos. Afirmar-se filho de Deus, desconsiderando Jesus e sua obra redentora, sempre leva a problemas de alguma ordem. O próprio Jesus deixou claro que quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.



Mas, o maior problema de todos é você poder se considerar filho, mas não fazê-lo. O que faz com que tantos cristãos vivam uma experiência com Deus tão insistentemente abaixo da linha de correspondência Pai-Filho? Alguns simplesmente não levam isso a sério, não entrando em comunhão consciente com seu Pai, como se isso não tivesse o valor que tem. Outros desconhecem ou são desatentos ao que ouvem, de modo que, recebem a Cristo movidos pelo desejo de serem salvos de uma condenação futura e de irem para o céu após a morte.


Porém digamos que você tenha decidido viver essa realidade a fundo... você deverá sempre esforçar-se para não diminuir Deus por uma excessiva familiaridade, nem deverá diminuir a importância que possui como alguém que está vivendo esta vida que tem suas raízes em Cristo. Porém, um detalhe não pode ser esquecido: o próximo, o teu próximo, o teu irmão, o outro ser humano que ali está. Tire o próximo de sua teologia, de seu cristianismo e você perderá o rumo.

Trata-se do seguinte: eu não posso reivindicar um direito ou benção para mim se em meu coração não o quero ou não o admito para meu próximo. Não posso pedir o perdão de Deus se o nego ao meu próximo. É bom refletir sobre isso. Quando nego o perdão ao outro ao mesmo tempo estou dizendo que Deus não deve perdoá-lo devido às coisas que fez. Jesus disse que com a medida com que eu medir, também serei medido. Esta medida será aplicada a mim. Se usei a medida da misericórdia, da graça, contarei com a mesma. Se apliquei o padrão das obras, tenho que ser julgado pelas minhas obras.

Alguns cristãos (ou muitos cristãos) certamente ouvem ou leem com muita preocupação esse tipo de afirmação, pois, estão viciados mentalmente em opôr graça e obras para a salvação, mesmo quando o assunto debatido foge a esse contexto. O que quero dizer aqui é que a Salvação e Santificação se dão por meio da fé no Evangelho... mas, qual a delimitação do evangelho em relação ao todo da obra e dos ensinos de Cristo?

Se Evangelho for resumido em: Deus te criou, você é pecador, Cristo morreu por você, Creia nele e será salvo... temos um problema! O que vamos fazer de tudo o que Cristo disse e fez? Se nosso entendimento de Evangelho não se refere à totalidade (mesmo que seja difícil fechá-la em uma fórmula simples) corremos o risco de errar - como tantos fizeram - tornando obsoletas grandes porções do texto sagrado. Aliás, estaremos tornando sem importância muitas coisas que Jesus considerou de importância capital.

Às vezes precisamos calar nossas certezas e dar voz às nossas incertezas a fim de permanecermos abertos ao aprendizado em Cristo. Eu disse isso para não deixar escapar a importância que Cristo deu às nossas relações com o próximo. Ele disse que se temos alguma coisa contra alguém, ou, se alguém tem algo contra nós, precisamos resolver o assunto e não seguir em frente com o pensamento de que o que importa é que tudo esteja bem entre nós e Deus.

Ele disse que devíamos orar por pessoas que estivessem nos perseguindo e caluniando, abençoar os que nos estivessem amaldiçoando, etc, etc, e aqui eu faço uma pergunta que todos precisamos responder: Temos feito isso?


Proponho um exercício para esta semana.

Faça o seguinte todos os dias desta semana: feche os olhos e volte seus pensamentos para Deus. Em uma atitude de oração, diga a Deus o que entende sobre ser Seu filho (pode dizer em sua mente ou com sua voz).

Em seguida, assuma essa filiação com gratidão e louvor. Deleite-se nesta verdade..


Depois, tome a firme decisão de pensar em várias pessoas, imaginando-as como seres feitos à imagem de Deus e procurando perceber essa realidade (escolha algumas pessoas de seu convívio. Comece com aqueles que você ama e em seguida escolha algumas pessoas com quem não tenha relacionamento algum. Sim, pense sobre elas como sendo feitas à Imagem de Seu Criador). Passe algum tempo vendo as coisas desse modo. Porém, agora, traga à mente uma ou mais pessoas com quem você tem um relacionamento complicado... seja quem for. Não dirija seu foco para os problemas desses relacionamentos, mas sim, para o brilho da glória de Deus Criador que nelas está pelo simples fato de existirem. Não pense sobre suas faltas nem ore para mude. Apenas veja o Real neles.

Agradeça a Deus de todo o coração e, após abrir seus olhos, levante-se e vá cuidar de suas coisas.





Entenda isso: nossa tendência é mirarmos nas ações para depois avaliarmos a pessoa. Desse modo a diminuímos, desprezando sua qualidade de nosso próximo, a quem devemos amar.

Mas o Senhor Jesus nos disse para não julgarmos segundo as aparências (as coisas que percebemos com nossos sentidos) mas sim, pela reta justiça. Portanto, nosso dever espiritual é mirarmos na Pessoa, na Imagem de Deus, no valor intrínseco ao ser humano e, somente depois, considerarmos algo que tenha feito (caso precisemos fazer). Quando começamos com o que a pessoa tem de valioso, nos colocamos na posição de colaboradores de Sua Salvação e Santificação por meio de Jesus. Sim, desse modo estaremos fazendo para os outros, o que queremos que façam para nós. Estaremos amando o nosso próximo como a nós mesmos, ou, pelo menos estaremos nos movendo nesta direção. Na verdade estaremos demonstrando de modo contundente que levamos a sério nossa filiação espiritual, seguindo o Filho, o Primogênito entre muitos irmãos (Rm 8.29), nosso Senhor Jesus Cristo.


Que a Graça seja com todos nós!

 
 
 

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