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Dualidades teológicas e a prática eclesiástica

  • 28 de jul. de 2025
  • 5 min de leitura

Ou é assim, ou, então, é assim...

Quantas vezes somos levados a fazer escolhas entre os dois "únicos" pontos de vista, as duas únicas possibilidades, sem conseguir, no momento, perceber que existem outras alternativas que não foram consideradas por aquele que está nos falando.

Um exemplo simples é o da discussão entre os pontos de vista Calvinistas ou Arminianos em teologia.

Penso, por exemplo, na seguinte questão: Se dizemos que o ser humano pode escolher, que pode aceitar ou rejeitar a graça, os calvinistas argumentarão de maneira a nos levar para as cordas do problema das afirmações bíblicas sobre a predestinação, ou eleição, que, segundo entendem, significam que Deus, antes dos tempos, predestinou um grupo definido de pessoas que seriam salvas por meio de sua graça. Elas aceitariam livremente o Seu Filho. Foram feitas para isso, e escolherão livremente isso.

Pelo que vejo, os arminianos apelam para a pré-ciência divina e dizem que Deus, previu todas as coisas, incluindo um grupo de pessoas que iriam aceitar a mensagem de salvação pela sua graça, e, então, predestinou essas pessoas. Escolheu-as. Essa posição (se é que eu fiz jus a ambas aqui), depois, se vê às voltas com o problema da possibilidade de apostasia, dando material de sobra para os defensores do calvinismo os acusarem de incoerência, pois, como pode alguém que Deus elegeu e salvou desviar-se e perder-se eternamente, se a previsão foi feita na eternidade?

E, se é assim, a salvação estaria se ancorando, não na graça de Deus, mas sim, nas obras.

Para mim, nem os calvinistas poderiam jamais dizer que esta salvação ocorreu pela graça, mas sim, por uma determinação de Deus, de criar uns para salvação e outros para perdição eterna.

Preciso pesquisar melhor e descobrir se alguém já não desenvolveu as alternativas para essa questão. Aqui vou apenas pôr meus pensamentos para fora.

Se o que ocorreu na eternidade foi a determinação de outras categorias de coisas, não a escolha de nomes específicos, mas sim a de condições específicas em que a salvação seria possível, deixando em aberto a oportunidade para cada homem e mulher responder à graça segundo a medida de luz que recebeu, então temos, de fato, grandes implicações:

1 - Deus estabeleceu padrões, perfis, nos quais o homem se encaixa pelo modo como responde a Deus.

2 - Uma pessoa pode não ter recebido o evangelho completamente explicitado, mas, pode ter recebido apenas indicações para ele e se colocado naquela direção e, isto já conta como salvação em Cristo da mesma forma que conta como condenação o fato de muitos ouvirem a pregação do evangelho com todos os seus detalhes e o rejeitado.

Outro caso envolve a salvação pela fé versus, salvação pelas obras.

Eis uma discussão na qual costumam ocorrer verdadeiros absurdos que levam para posicionamentos antinomistas, ou legalistas, visto que ambos baseiam-se em reflexões com base nas mesmas premissas.

Se eu digo que o discipulado é necessário, mas que a salvação acontece independentemente dele, na verdade estou afirmando que ele é obsoleto.

Se eu digo que é necessário e que, sem discipulado não existe salvação, sou acusado de pregar a salvação pelas obras.

Nesse caso, afirmar a graça é o mesmo que dizer que podemos ficar com a última parte dos evangelhos (os capítulos sobre a morte e ressurreição) e com a primeira parte das cartas de Paulo, e alguns outros textos bíblicos, jogando fora todo o restante, qualquer referencia a comportamentos exigidos dos fiéis.

Calvinistas podem logicamente prescindir de afirmar a necessidade de obras, pois, se os santos perseveram por força da eleição incondicional, então, não será preciso insistir com eles para que perseverem.

Arminianos tendem a ir pelo caminho oposto e afirmar que se não houver perseverança não haverá salvação, ou pior, que haverá perda de salvação para quem não perseverar nas obras.

A doutrina bíblica da regeneração é séria.

Creio que ela é decisiva em questões lógicas acima de nossa capacidade de verificação. Só o Senhor tem conhecimento de quem foi regenerado. A igreja pode se enganar, mas, tem que lidar com o testemunho das pessoas. A igreja lida com os comportamentos e confissões. Deus lida com a realidade última das coisas.

A igreja pode considerar um crente sincero, alguém que fez a confissão correta de fé e que teve boa conduta. Ela pode e deve fazê-lo. Ela deve dar seu voto de confiança nessas questões.

O problema acontece quando um crente sincero, alguém que caminhou entre os fiéis, que se envolveu em ministérios, pregou o evangelho, foi para o campo missionário, concluiu o curso teológico, escreveu livros sobre a fé... desvia-se. Digamos que venha a morrer sem retratar-se. Ou que se arrependa e retorne para o caminho. O que aconteceu com esta pessoa?

Temos que dizer algo.

Temos que ter uma base bíblica para avaliar a situação.

O que aconteceu, de fato, em relação à salvação do sujeito?

Ele era um salvo que perdeu sua salvação e depois a reconquistou?

Ele era um perdido que pensava ser salvo e que, agora sim foi salvo?

Ele era um salvo que passou por uma crise pessoal, de fé, e retornou para o caminho?

Era um perdido e continua perdido, sendo a sua confissão apenas superficial, mantendo-se ligado à igreja visível movido por culpa, medo, ou admiração, mas não por verdadeira fé?

E se apostasia for o nome que devemos dar ao desvio no tocante ao modo como a igreja deve se posicionar em relação aos casos específicos.

Ele apostatou da fé. Ele retornou à fé.

Essas seriam afirmações descritivas da situação do posicionamento das pessoas. Se ele se desviou para nós não importa se possa ainda ser um salvo. Está visivelmente desviado e deve ser considerado um descrente, mas, do tipo apóstata, pois, em seu modo de vida, e por suas próprias palavras rejeitou o evangelho.

E quando um apóstata volta para a igreja? Esta, tomando os devidos cuidados deve, enfim, recebê-lo na comunhão e afirmá-lo um salvo. Mas só poderá fazê-lo conforme ele confesse a fé dedicando-se ao crescimento como discípulo.

Se há confissão mas não há dedicação ao caminho, a igreja deve ainda ser reticente quanto afirmação da salvação. Apenas afirma que quem crê é salvo, mas, também que crer é seguir.

A complexidade disso, na prática, pode levar a posicionamentos extremistas tanto do lado daqueles que excluem alguém por ter pecado para a morte, como do lado daqueles que nada exigem em termos comportamentais daqueles que fizeram a confissão de fé.

Um caminho talvez mais equilibrado seria:

1 - ensinar o evangelho total, para crer e seguir.

2 - pregar enfaticamente sobre o que é uma vida cristã e o que não é - sobre a necessidade de seguir a Cristo, imitá-lo, obedecê-lo, praticar seus ensinamentos, crer que Ele é mesmo o Salvador e por isso segui-lo.

3 - compreender que, em meio ao grupo de pessoas que se reunem nas celebrações, existem diferentes graus de compreensão e reposta ao evangelho

4 - Deixar claro para todos o que se espera de um seguidor de Cristo. Isso o Senhor quer, ou, isso não

 
 
 

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