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Férias de igreja

  • 28 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Nosso culto de natal foi bonito. O louvor foi conduzido por vídeos com as letras das canções. Tínhamos 6 visitantes, formando um grupo de 37 pessoas... Saí dali muito edificado. Dividi as tarefas do culto com o pastor Ailton. Depois fui jantar com parte da minha família.

Estou escrevendo um texto sobre a alegria daquele culto e a importancia de cultuarmos no natal, mas, este texto, é sobre algumas ausências que me entristeceram.

Fiquei com vontade de perguntar a alguns pastores se em suas igrejas o pessoal tira férias dos cultos no fim do ano. Mas, fiquei com vergonha porque, ao ligar a internet no domingo e assistir às transmissões ao vivo dos cultos de algumas igrejas que conheço e acompanho, pareceu-me que nelas, os membros que faltam são os que viajam.

Alguém disse que precisa ficar com a família nas festas, mas eu tenho algumas objeções a fazer para os que ficam na área, podendo deixar a família por uns instantes para celebrar com sua igreja:

1 - o tempo requerido pelos trabalhos da igreja, na grande maioria dos casos não justificam isso. As pessoas tem, anualmente muito mais chances de passar tempo com a família do que o tempo que dedicam ao esforço conjunto pelo Reino de Deus junto à sua igreja. Ainda que frequentem a igreja 3 ou 4 vezes por semana por duas horas cada vez, sobrariam 3 noites, uma grande parte do sábado e quase todo o domingo para tanto. Calcule isso para um ano e tire suas conclusões. E as festas são momentos em que seria importante compartilhar dos objetivos comuns de uma comunidade cristã: no natal, nos reunimos para anunciar a encarnação do Filho de Deus. Na virada do ano, nos encontramos para uma dedicação especial que envolve agradecer pelo ano findo e orar e profetizar sobre o ano novo.

2 - outra objeção tem a ver com o seguinte: imagine que todos os cristãos simplesmente resolvessem ignorar a importância de reunir-se para comemorar suas datas. Imaginem que ninguém mais fizesse nenhum vídeo, ou culto, ou programações especiais para anunciar ao mundo a importância da morte de Cristo, ou de seu nascimento... Deixaríamos o mundo fazendo o que sabe fazer com essas datas... não soa estranho? Não lhe parece estranho que crentes em Jesus decidam não comparecer aos cultos de sua própria igreja para dedicar um tempo com a família (antes que o ano finde)?

3 - A terceira objeção envolve o fato de que o pastor e sua família, deixando por algumas horas suas famílias de lado (e testemunhando assim, perante eles, a importância dessa data) vão para a igreja, ficar com os irmãos que ainda não cederam ao argumento festivo e familiar, tratando o Natal, antes de tudo, como uma celebração espiritual. Os membros que podem comparecer (pedindo licença para a família, não deveriam se colocar no lugar de seu líder? A pergunta a se fazer é: e se fosse eu o pastor, como me sentiria a respeito de pessoas que tivesse a atitude que costumo ter?). É estranho, muito estranho para um pastor, que suas "ovelhas" não o sigam naquilo que ele trata com tanta importância.

4 - Agora, quero que pense sobre um grupo muito especial dentre os crentes... aqueles que se consideram - e que são considerados - "ministros", obreiros, líderes... Esses tem o comportamento mais engraçado (leia-se trágico). Eles decidem que não virão e aguardam quietinhos a chegada desse dia, torcendo para que ninguém (o pastor) lhes faça a pergunta fatídica: "Você virá?". Eles não comunicam seu ("Amado") líder. Eles não vem e não dão satisfação. Eles viriam (provavelmente) se sua igreja fosse popular (talvez essa seja a razão de muitas igrejas lotarem nessas ocasiões). Não é incrível que a equipe de auxiliares do pastor se ausente assim, sem nem sequer perguntar se não seriam úteis de alguma forma?

5 - Como devo tratar o assunto no próximo ano? O que acham de eu dizer aos membros que veem alguma importância nesse encontro para procurarem uma igreja que também valorize isso?

Tenho observado o comportamento das pessoas e concluído que se seus patrões lhes dissesse que teriam que trabalhar por meio período no dia de natal, ou ano novo, iriam, sem questionar (não sem murmurar), para não arriscar perder seus empregos.

O que isso quer dizer? Que como o ministério que exercem não lhes traz remuneração, tratam-no como a um hobbie, sem um verdadeiro senso de dever, sem se sentirem na obrigação de prestar contas. E, se o pastor tem a infeliz ideia de questioná-los, seus argumentos são sempre em defesa de seu direito de agir como agem ("já fiz o suficiente", ou "Você não considera o tanto que eu fiz nos últimos meses"). Se for assim que tratam seus patrões em seus empregos, devem se preparar para o desemprego.

O que aprendi nesses anos todos, é que nosso ministério tem o valor dos sacrifícios que fazemos por ele. Que um pregador é medido pela disposição e entusiasmo que demonstra por pregar quando se trata de uma audiência de 4 ou 5 pessoas. Que o comprometimento de um obreiro se torna claríssimo pelo modo como ele se comporta quando está passando por pressões. Um bom obreiro não abandona sua equipe mesmo quando sofre perdas pessoais.

Bom, feito esse desabafo e advertência, espero ardentemente que meus auxiliares (os que ocupam cargo de liderança nos vários ministérios) reconsiderem sua conduta neste quesito e que 2018 seja o ano do despontar de uma nova consciência para com a obra de Deus.

 
 
 

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