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JULGUE O TEU PRÓXIMO

  • 27 de jan. de 2021
  • 4 min de leitura

Todos enfrentamos situações que encaixamos na categoria de males da vida. Alguns são impessoais: enchentes, raios, crises econômicas, epidemias. Outros tem uma origem mais pessoal e aqui entramos no campo dos relacionamentos onde há desarmonia.

Um dos desafios do discípulo de Cristo é o de examinar seus ensinos e as implicações que eles têm para a vida do dia a dia. Nesse caso, precisamos saber o que Cristo espera que compreendamos e como quer que nos comportemos quando pessoas nos causam problemas.

Como você deve saber, existem os problemas que podemos evitar. E, se podemos, devemos fazê-lo.

Jesus disse: Se vos perseguirem numa cidade, fujam para outra.

Mas, e quando não podemos nos mudar? E quando não podemos escapar? E quando não podemos evitar que alguém nos cause danos? E quando não podemos nos afastar da pessoa que nos prejudica direta ou indiretamente?

A solução de Jesus precisa ser muito bem compreendida, pois, ela nos leva a um trabalho em que nos desvencilhamos interiormente de uma forma de ver as coisas que acaba acentuando o sofrimento.

Vamos ler João 7.24 e 8.15

Preste bem atenção nessas expressões: segundo a carne, segundo as aparências e segundo padrões humanos.

Avaliar um acontecimento, ou um comportamento, segundo a carne (padrões humanos ou as aparências), “é chegar a um veredito na base de considerações puramente humanas, externas e naturais. É uma avaliação que não leva em conta as dimensões espirituais” (DIT p.282).

Aparência é tudo o que impressiona nossos sentidos.

Julgar pela aparência é reagir a isso de modo condicionado e, portanto sem levar em consideração as verdades de Deus. Verdades que nos dizem que Deus e Seu Reino são a Verdade, a REalidade superior, à luz da qual devemos avaliar os acontecimentos deste plano em que vivemos e que é uma realidade inferior.

Quando julgamos as pessoas pelas aparências, nós começamos condenando seu comportamento e terminamos avaliando seu valor à luz desse comportamento. Tomamos um caminho extremamente perigoso, pois, quando encaixamos o outro numa estrutura, ficamos encaixados nela também.

Jesus disse: Com a medida com que medirdes, também sereis medidos (Mt 7.2).

A estrutura da condenação é a seguinte:


1. O ser humano pecou

2. Quem peca está condenado

3. Você pecou, portanto está condenado


Esta estrutura é simples, porém altamente perigosa. Quando julgamos as pessoas causamos um grande problema para nós mesmos. Colocamo-nos debaixo de juízo. Quem não usa de misericórdia, não achará misericórdia (Mt 5,7).


Porém, Jesus nos dá uma tremenda solução: Ao invés de julgarmos segundo as aparências, Jesus nos diz para julgarmos segundo a reta justiça. Isso é avaliar as coisas a partir da Realidade espiritual, ou seja, da Verdade.

A Verdade tem raízes na eternidade e nos apresenta um projeto muito bonito. As realidades espirituais seguem uma linha de raciocínio que começa em Deus. Preste atenção:


1. Deus é - olhamos as coisas a partir dessa perspectiva. Não importa o que aconteça, nos lembramos de que Deus é. Ele é a única Realidade, poder, vida, presença e Vida.


2. Ele é o Criador de todas as coisas e a Bíblia nos ensina que tudo foi feito por Ele (por sua habilidade e capacidade), para Ele (para seu deleite e como sua propriedade, sendo Ele o objetivo final da existência de todas as coisas) e, Nele (apoiado e derivado de sua própria vida, presença, substância). Portanto, todas as coisas, incluindo eu e o meu próximo estamos na mesma vida, na mesma Presença, no mesmo Deus.


3. Deus criou e declarou que tudo o que criou é bom. Quando o fundamento é considerado, vemos que tudo é realmente bom.


4. Deus criou o ser humano à Sua IMAGEM. Esta imagem permanece em mim e no meu próximo.


5. O pecado foi e permanece sendo um desvio da verdade que não nos permite ver a IMAGEM no outro, nem a expressar em nós mesmos. O que eu não posso ver em você não pode se manifestar em mim.


6. Deus se fez homem para regatar o ser humano que Ele criou para ser Seu Filho, perdoando todo pecado, e arcando com as consequências disso na cruz. E na cruz Ele revela o que Ele via nos homens e mulheres que o estavam afligindo (Lucas 23.33,34). Ele viu inocência...e pediu para eles (e para todos nós) o perdão.


7. Deus uniu a humanidade em Seu Filho e o elevou às alturas, eternizando um estado de benção para todos, e entesourou toda a Sua herança em Cristo para desfrute de todos os Seus filhos (que, em função da unidade com Cristo, constituem uma só filiação).


Percebe a grandeza do projeto?


Ele tem implicações poderosas.

Toda vez que alguém te causa algum dano você toma um caminho para resolver as coisas... normalmente tomamos o caminho tacanho da condenação, julgando as pessoas pelo que elas expressaram e pela intenção que manifestaram. Olhamos para as ações e desconsideramos o valor.

Deus quer que tomemos o caminho de enxergar o nosso próximo como alguém feito à Sua IMAGEM e perdoemos a pessoa.


Esse perdão é a nossa libertação. Só fica livre quem liberta.


Veja esse texto bíblico:

"Falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei da liberdade;

porque será exercido juízo sem misericórdia sobre quem não foi misericordioso. A misericórdia triunfa sobre o juízo!" Tiago 2:12,13.


Quem não perdoa se põe debaixo de condenação, pois, eu não posso querer para mim o que eu não aceito ver no outro... ou, Deus dará para mim o que eu quis para o outro.

Não posso amar um assassino, mas posso olhar com misericórdia, suspendendo a visão de um assassino e enxergando aquele ser humano feito à IMAGEM de Deus, aquela pessoa por quem Cristo morreu e que, agora, não sabe o que faz.


Paulo disse que na vida Cristã temos que adotar o padrão de não avaliar a ninguém mais segundo a carne, ou as aparências, ou as ações conforme as percebemos com nossos sentidos (2Co 5.16).


Por isso, julgue o teu próximo pela reta justiça (ou seja, pelo mesmo padrão com que Jesus julgou aqueles que o estavam crucificando)... Declare-o INOCENTE... e deixe o resto com Deus.


Que o Senhor nos ilumine.


 
 
 

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