MEDITANDO NAS VERDADES DE DEUS
- 29 de jan. de 2021
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A grande tarefa do cristão é renovar a própria mente. Disso depende sua alegria em viver com Cristo e entre irmãos. Sem isso todo o projeto é posto em dúvida. A própria salvação se torna objeto de descrédito pelos outros e até pelo próprio crente. Pedro nos diz para consolidarmos nossa vocação e eleição, acrescentando (ou trabalhando pelo desenvolvimento de um conjunto de virtudes) a fim de ser produtivo na vida espiritual. Paulo diz "habite ricamente em vós a palavra de Cristo", "habite Cristo em vós pela fé" e nos faz lembrar que "Cristo em vós é a esperança da glória". Ele ordena aos filipenses que adotem uma nova mentalidade, que tragam para seu mundo de pensamentos tudo o que for bom, justo, de boa fama, virtuoso, etc.
Poderíamos ainda dizer que só acolhemos o que admiramos. Só ponderamos sobre o que nos parece importante. Só gastamos tempo com coisas que estejam de algum modo ligadas às nossas prioridades. Somos seguidores de fato, daquilo que admiramos. Ninguém segue Jesus por acreditar em sua bondade ou por achar que faz sentido que uma dívida tão alta só pudesse ser paga por alguém tão grande. Alguém só segue a Cristo se o admira e se, no fundo do coração entende que Ele está certo sobre tudo e que não há no mundo alguém mais fascinante, mais perspicaz, mais sábio do que Ele.
Quando porém, entramos no território da mente, com seus processos, não estamos sozinhos. A ciência, as tradições espirituais, e até mesmo a nossa Bíblia (que supomos conhecer tão bem), tem mais a nos dizer do que estamos dispostos a admitir.
O que ocorre é que o crente permanece atrelado à esfera da ética, ou da moral cristã. A maioria tem muita dificuldade e jamais é ensinada (talvez por falta de quem os ensine) a alçar voo nas questões espirituais.
Se temos que renovar a mente, temos que entender de mente o suficiente para nos movermos com algum cuidado e de modo a ascendermos, avançarmos rumo à estatura de homens e mulheres espirituais.
Quando pensamos meditação, pensamos em parte de um processo interno, subjetivo, que tem a ver com a renovação da mente. Porém, como a renovação que desejamos é orientada pela Palavra de Deus, nossa intenção aqui é pensar em uma forma de meditação apropriada a cristãos.
Podemos começar imaginando a Verdade como algo que possui um núcleo coberto por muitas camadas. Pensemos numa cebola.
Se queremos renovar nossa mente precisamos caminhar na direção deste núcleo. Camada por camada. Cada uma sendo atingida por um processo específico.
Não me atrevo a ser muito descritivo aqui. Mas, se estamos desejando uma renovação, é bom saber que os mestres no assunto que não temos como parar os pensamentos negativos ou pecaminosos por meio do esforço direto. Seria o mesmo que tentar tirar a escuridão de dentro de um quarto. Como expulsamos o escuro? Como fazemos as trevas saírem? Se você entender que a escuridão não pode ser expulsa... que ela não é uma entidade que sairá correndo de um lugar para ficar em outro, entenderá as implicações disso para o plano da mente.
Quando acendemos a luz, não há mais trevas.
Aplicamos isso no plano da mente quando meditamos na palavra.
Voltemos à ilustração da cebola: você põe a mão nela e já está em contato com a camada mais superficial.
Trata-se de um processo.
Você não começa meditando na verdade, mas sim, lendo ou ouvindo.
A meditação é resultante de um processo que começa com a simples aproximação de uma verdade de Deus. Temos que ler a Bíblia, ouvir com atenção os sermões e conversar sobre assuntos espirituais ou sobre uma perspectiva espiritual das coisas comuns da vida com nossos irmãos na fé.
Em seguida, começamos a pensar sobre ela, para tentar compreendê-la. Conversamos com outros estudantes, e buscamos compreender o assunto.
Quando chegamos a alguma compreensão, em algum ponto permitimos que ela influencie nossa conduta.
Chega o dia em que a coisa fica mais séria e percebemos que a verdade proferida na Bíblia, é produto de um estado de consciência elevado, espiritualizado, cristificado. Alguém disse o que disse em função de uma conexão específica com Deus. Então nos perguntamos: o que fez com que essa pessoa percebesse as coisas deste modo? O que lhe permitiu ter tal certeza?
Quando percebo isso, compreendo que preciso não apenas ter em minha mente os pensamentos de Cristo... preciso da mente de Cristo, preciso experimentar a natureza de Cristo e descubro que, convenientemente, ela já está disponível... é a minha natureza espiritual redimida, é o meu ser em Cristo, minha interioridade mais profunda... Algo que pode ser alcançado na medida em que aprendo a me aquietar e esperar diante de Deus. Aqui entramos no território da meditação. Aqui estamos meditando na Verdade, em Cristo. Aqui entramos na comunhão espiritual. Aqui compreendemos que tudo o mais fora apenas preparatório. Aqui estamos na esfera do espírito e percebemos que tudo o que aprendemos antes fora uma aproximação.
Busquemos esta mente. Meditemos nas verdades de Deus.







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