top of page

Pastores, os missionários locais

  • 28 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Pastores são figuras interessantes no imaginário cristão.

Eles costumam ser o primeiro exemplar de um cristianismo bem desenvolvido que será contemplado pelos que acabam de achegar-se a Cristo. São eles os professores das igrejas locais. São os pregadores que dão vida à mensagem perante os olhos de uma congregação, as pessoas em quem se nota o agir do espírito Santo, a paixão pela cruz, a fé viva no Cristo ressurreto. O visitante da igreja pode vê-lo com suspeita ou receio, ou pode ali estar em desespero, necessitado de um toque milagroso, que lhe devolva a saúde, a paz e lhe ponha em contato com Deus. Seja como for, uma vez que recebe a Cristo, caminha com um pastor e tende a vê-lo como um pai. Há alguns dias uma pessoa me disse "você é o nosso paistor". Tenho em meu rebanho um rapaz que me diz repetidamente "pastor, você é meu pai".

Apesar de eu me esforçar para não permitir que me coloquem num pedestal de perfeição (e é bom que evitemos isso a todo o custo), sei que é inevitável que, nos conduzindo como orientadores espirituais afáveis, atenciosos, empenhados em orar, consolar e instruir nosso povo, nos tornemos objetos de tamanho carinho.


Já os missionários, são obreiros fantásticos.

Quando surgem, no seio de uma igreja, acendem a paixão pela salvação de vidas. São eles os que vivem explicitamente uma vida arriscadas. Avançam na direção do que está além das fronteiras, preocupam-se e comprometem-se com a salvação dos ainda não alcançados pela mensagem do evangelho. Mesmo sem ter conhecimentos profundos de disciplinas teológicas, normalmente tem o conhecimento necessário ao trabalho específico para o qual se sentiram direcionados por Deus. Vivem das ofertas voluntárias dos crentes, das igrejas, e avançam etapa por etapa numa dependência desconcertante do bem que lhes vêm da boa vontade de seus irmãos. Jovens se apaixonam por missões e são as pessoas dotadas da energia, do entusiasmo e de uma certa inexperiência e de uma relação ainda não estruturada com os mecanismos de sobrevivência convencionais. Por isso aceitam o desafio de se tornarem missionários.


Tenho uma relação dinâmica com o pastoreio e com a missão. Sou pastor missionário, ou um missionário pastor. Missionário sou devido ao meu compromisso com o avanço do Evangelho. Acredito piamente que o Evangelho, quando devidamente conhecido, traz enormes bênçãos para a vida de uma pessoa ou sociedade. Creio que devemos olhar para o mundo à nossa volta (o que inclui o bairro, a cidade, o país, regiões específicas de nosso Estado, assim como países, tribos distantes) e nos responsabilizarmos por fazer os esforços necessários para libertá-los das forças da morte ao proporcionar-lhes o contato com o Senhor e Salvador de suas vidas. Ao traze-los para a vida na luz, a vida em Cristo, a vida no Filho de Deus, começa a atividade de pastoreá-los. Nesse caso, o pastor mobiliza a Igreja para a missão e, com ela, mobiliza os recém chegados para uma jornada de crescimento espiritual, em que antigas crenças serão expostas à luz a fim de que o coração seja remodelado pela verdade e a pessoa possa dar frutos para a glória de Deus.


Também vivo pela fé. Também me arrisco numa vida em que as seguranças convencionais foram retiradas de meu caminho e meu futuro completamente submetido ao cuidado de Deus. Como pastor de uma igreja situada na periferia da cidade, numa área industrial com baixíssima população, trabalhando com escassos recursos tanto financeiros quanto de pessoas capacitadas e dispostas para o ministério (algumas coisas mudaram nos últimos anos, mas, a escassez de recursos financeiros permanece), arrisquei tudo para não ceder à tentação de sair de perto do povo do bairro indo procurar uma área que oferecesse maiores vantagens para o crescimento da igreja. Como já disse, não tínhamos recursos, nem apoio, nem experiência, mas, tínhamos um coração entregue a Deus e, ainda creio que Ele nos valerá.

Outro ponto em que essa combinação do missionário com o pastor se fizeram notar foi no fato de não ceder aos métodos que considero reprováveis. Por exemplo: nunca concordei com a abordagem daqueles que fazem de sua denominação a marca que levam adiante. Pare e pense em quantas denominações deixam o nome de Jesus em segundo plano. A prova disso é que as pessoas dentro desses grupos são levadas a gravar vídeos de depoimento sobre o que lhes aconteceu quando vieram para esta denominação ou movimento. Como crentes - e se tudo estiver certo com o evangelho em que creem - deviam ser levados por seus pastores a fazer um anúncio explicito sobre Jesus.

 
 
 

Comentários


Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square
bottom of page